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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

CHAMADOS E ENVIADOS

Depois da Trezena de São Sebastião, em que nossa Arquidiocese foi visitada em seus quatro cantos pela caravana missionária do Mártir Protetor da Urbe, celebramos a solene festa de São Sebastião, convocando a todos, mas especialmente os jovens, para o discipulado e a missão. Foram momentos significativos e importantes para iniciarmos o novo ano com a festa daquele que pela vida e martírio nos aponta para Jesus Cristo, Nosso Senhor.
Nós continuamos com entusiasmo e coragem a nossa caminhada na história. Neste Terceiro Domingo do Tempo Comum, o Evangelho começa com um sumário e imediatamente depois apresenta a chamada dos quatro primeiros apóstolos. O sumário é constituído pela  notícia da prisão de João Batista e pela expressão, já tão familiar para nós: "O tempo cumpriu-se, e o Reino de Deus está próximo: convertei-vos e crede no Evangelho". Em seguida mostra a vocação dos discípulos. A pregação de Jesus foi desenvolvida para comunicar aos homens o dom grande e inestimável da misericórdia divina, então a frase "o tempo... e o Reino..." não soam como um ultimato, mas deve ser entendida como a explicitação da vontade salvífica.
Na proposta da oferta de uma nova vida, compreende-se também o convite imediato e urgente para mudar. Este chamamento à fé e à conversão permite ao homem ler os sinais divinos presentes em nosso tempo e na nossa história e identificar a presença do Reino. A fé se torna a condição necessária e indispensável para a aceitação da proposta que brota da pregação de Jesus.
É possível uma mudança radical? A palavra de Deus responde afirmativamente. Pode ser explicada dessa forma a chamada dos primeiros apóstolos. A conversão é uma realidade viável. É necessário entrar na dinâmica de Deus e aceitar a sua proposta, a sua proclamação do Evangelho, partindo da própria situação de vida e da realidade que nos rodeia.
Na 46ª Jornada de Comunicação Social, a ser celebrada no Brasil na Solenidade da Ascensão do Senhor e cujo texto será publicado pelo Papa Bento XVI no próximo dia 24, dia de São Francisco de Sales, explicitará o tema: "silêncio e palavra: caminho de evangelização", que nos ajuda a fazer a experiência da escuta diante de tantas vozes ao nosso redor. É preciso silenciar para escutar a voz de Deus que chama, chama cada batizado por seu nome e o faz um evangelizador; é preciso estar à espreita do Senhor na escuta do que Ele nos diz; ser discípulo e, a partir dessa experiência, tornar-se missionário. Antes de tudo é importante compreender que a nossa atividade deve dar um salto qualitativo. Jesus pede aos futuros apóstolos para começarem a ser testemunhas vivas da "Plenitude dos tempos, da Presença do Reino e do Dom da fé". O próximo passo exigido desses homens é abandonar o que para eles pode ser a única fonte de riqueza ou de ganho, e começar a descer do barco, deixando o mar, caminhar para onde quer que estejam e vivam os homens, entrar em contato com aquele mundo muitas vezes diferente, e ouvir, dialogar e dar as razões da esperança em tempos novos, chamando todos à conversão. Na história da vocação da "segunda dupla" de apóstolos, o Evangelho de Marcos enfatiza em primeiro lugar como é Jesus a sentir a urgência da missão: "E logo os chamou” (v.20). E a outra característica do evangelizador é que, além da fé, precisa ter disponibilidade para ser livre. Notemos a despedida do pai Zebedeu – e de tudo aquilo que possuíam.
Podemos tranquilamente dizer com segurança que os quatro primeiros apóstolos fornecem os critérios e a imagem do discípulo ideal: livre de bens terrenos e dos afetos familiares. É possível ler nesta ótica as palavras de Pedro, relatadas em Mc 10,28. Por isso, como São Sebastião, nosso padroeiro, que não se intimidou diante do Imperador Diocleciano, sejamos livres de bens transitórios e de afetos desordenados em favor de Cristo Ressuscitado, que caminha no meio de nós e nos convida para sermos discípulos e missionários, ou seja, para a missão e o discipulado!

                                      † Orani João Tempesta, O. Cist.
  Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O REINO DE DEUS ESTÀ AÍ. COVERTEI-VOS


O Batismo de Jesus por João Batista é o ato inaugural do seu ministério. Em outras palavras, poderíamos dizer que é a Epifania histórica de Jesus. Atraido pela mensagem de João Batista, Jesus abandona a sua vida em Nazaré da Galileia, procura o batismo de João na região do além Jordão e começa a formar o grupo de seus discípulos para iniciar seu ministério.
João Batista anunciava a conversão à prática da justiça como caminho para remover o pecado do mundo. Com seu convite ao batismo e à conversão, atraiu discípulos, no grupo dos quais se inseriu Jesus.
Após a prisão de João, Jesus decide levar o seu anúncio da conversão ao Reino de Deus à Galileia. Jesus inova no sentido se que, em vez de aguardar a afluência de pessoas na região desértica e à margem do Jordão, decide dirigir-se, com discípulos, às regiões povoadas do norte.
Os evangelhos sinóticos são completados com o evangelho de João (evangelista) na caracterização dos primeiros discípulos reunidos em torno de Jesus. Nos sinóticos, as narrativas do chamado de Jesus se caracterizam pelo esquema: Jesus passa e chama, o discípulo deixa tudo e o segue. Esta é uma forma literária de apresentar todo um processo de relações de conhecimento e amizade entre Jesus e o discípulo e a adesão final. No evangelho de João, é destacado que Jesus chama seus primeiros discípulos em um convívio com os discípulos de João Batista.
O que caracteriza a formação dos discípulos é a conversão.
A Boa Nova do Reino que está próximo, perto de nós, é a revelação de uma nova realidade. A conversão é o processo de mudança e a construção dessa nova realidade. O mundo nos oferece uma realidade ainda não totalmente humanizada. Ocorrem até absurdos de violência e desumanidade maciças, causadas pela ambição do dinheiro e do poder e pela guerra. Contudo, este não passa de um mundo frágil.
A conversão se faz a partir do olhar para Jesus e deixar-se contagiar pelo seu amor misericordioso e por suas palavras. Assim, vamos nos libertando das ideologias de sucesso, riqueza e poder, para incorporarmos valores de comunhão com o próximo, na mansidão e no carinho, construindo um mundo novo possível, na justiça e na fraternidade.
+ Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora(MG).

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

SÃO SEBASTIÃO


São Sebastião nasceu em Milão. Era um valoroso capitão do exército romano. Sofreu o martírio sob o reinado de Diocleciano.
Cristão convicto e ativo, tudo fazia para ajudar os irmãos na fé e trazer ao Deus verdadeiro soldados e prisioneiros. O próprio governador de Roma, Cromácio e seu filho Tibúrcio foram por ele convertidos e professaram a fé mesmo no martírio.
Denunciado como cristão São Sebastião foi levado perante o Imperador para se justificar e confessou publicamente a sua fé. Acusado de traição à pátria, foi condenado à morte. Amarrado a um tronco, foi varado por flechas, na presença da guarda.
São Sebastião conseguiu sobreviver e, corajosamente, se apresentou ao Imperador, censurando-o pelas injustiças cometidas contra os cristãos, acusando-os de inimigos do Estado. Incitou o imperador para que os deixasse em paz.
Diocleciano, entretanto, permaneceu surdo o seu apelo, mandou açoitá-lo até a morte e lançou o seu corpo em uma cloaca. Era por volta do ano 284.
Seu culto foi muito popular não só em Roma, mas também em outras igrejas do Ocidente.
A imagem de São Sebastião serviu a artistas do Renascimento de motivo para suas pinturas. Eles nos deixaram diversas representações do mártir, na maioria, ele aparece cravado de flechas.
Sua festa é comemorada no dia 20 de janeiro. São Sebastião é o padroeiro contra a peste, a fome e a guerra. Peçamos a proteção do Santo Mártir em favor de todos os que labutam na agricultura. Que São Sebastião abençoe os agricultores e pecuaristas e abençoe as plantações e as criações. Que ele, interceda, por nós junto a Deus para a paz.
+ Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora(MG).