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sábado, 18 de fevereiro de 2012

Abertuda do Tempo da Quaresma

QUARTA-FEIRA DE CINZAS – B
“Ó Deus, vós tendes compaixão de todos e nada do que criastes desprezais: perdoais nossos pecados pela penitência porque sois o Senhor nosso Deus.” (Sb 11, 24s.27)
Iniciamos com a Quarta-Feira de Cinzas um tempo muito especial na vida da Igreja Católica. A Igreja quer santificar o tempo e neste sentido nos convida a viver um momento de retiro espiritual: a SANTA QUARESMA.
Na Santa Quaresma tudo nos leva a pensar no tripé de conduta de vida: a penitência, percorrendo estes quarenta dias preparando-nos para a Páscoa, quando então celebraremos o mistério da morte e ressurreição de Nosso Senhor, centro da nossa fé, dedicando maior atenção para a ORAÇÃO, AO JEJUM e à RECONCILIAÇÃO com Deus e com os nossos semelhantes.
Meus irmãos,
As cinzas que serão impostas no dia de hoje são o principal símbolo litúrgico do início da Santa Quaresma, tanto que dão o nome ao dia e ao sagrado ofício litúrgico. As cinzas representam a pequenez do homem. Abraão ao falar com o Senhor, no Antigo Testamento, intercedendo por Sodoma, considera-se uma nulidade diante de Deus e, por isso mesmo, considera uma ousadia fazer um pedido: “Sou bem atrevido em falar a meu Senhor, eu que sou pó e cinza” (Gn 18,27). Por isso, ao recebermos as cinzas na Liturgia hodierna vamos pensar em duas atitudes fundamentais da vida cristã: ARREPENDIMENTO e PENITÊNCIA, PURIFICAÇÃO e RESSURREIÇÃO.
Receber as cinzas é um compromisso de conversão: o abandono do pecado, de penitência pública, pedindo perdão a Deus pelos nossos pecados, purificando de nossas faltas e ressurgindo para uma vida nova, a vida da graça e da amizade com Deus, para viver nos quarenta dias do tempo quaresmal uma permanente e contínua vontade de retorno à vida da graça e mudança de vida, atendendo a própria oração de imposição de cinzas: “Convertei-vos e credes no Evangelho”.
Irmãos caríssimos,
Quaresma é tempo de oração, de penitência, de jejum e de abstinência de carne, tudo isso em função de ser a morte e a ressurreição de Jesus o centro da celebração de nossa fé. Por isso, para fazer penitência e se converter, é preciso muita humildade, muita disposição de mudança e muita persistência.
A penitência começa conosco mesmos, dentro de nossas pequenas e grandes limitações, procurando corrigir nossos desvios e pecados e buscando lucrar a graça santificante de Deus. O orgulhoso é incapaz de fazer penitência, pois ela pressupõe humildade, o reconhecimento da pequenez de nossa natureza humana diante do Criador, diante do próprio mistério da criação.
Irmãos e Irmãs,
A Sagrada Liturgia insiste na autenticidade da penitência: rasgar o coração, não apenas as vestes. “Agora - diz o Senhor -, voltai para mim com todo o vosso coração com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração, e não as vestes, e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar do castigo” (Joel 2,12-13). Além disso, a Liturgia insiste no caráter interior do jejum, juntamente com as outras “boas obras”, a esmola e a oração.
A Primeira Leitura de hoje é uma exortação à penitência, ao jejum e a súplica. Penitência significa volta para Deus, por isso nós somos convocados pelo escritor sagrado: “rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo”(cf. Jl 2,13). Esta nota sagrada nos convida a entrar em espírito penitencial, de mudança de vida, de hábitos, para a procura da via ordinária da santidade.
Na Segunda carta de São Paulo aos Coríntios(2Cor 5,20-6,2), o Apóstolo proclama o novo tempo de reconciliação com Deus, com vistas à iminência da Parusia: “Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus. Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nós nos tornemos justiça de Deus” (2Cor 5, 20b-21). São Paulo nos exorta a valorizar a reconciliação, aproveitando o sacramento da penitencia oferecido por Cristo, que assumiu o nosso
pecado, e a não deixar passar a oportunidade, já que este é o tempo oportuno e favorável, para a mudança de vida e a busca do rosto de Deus.
Caros irmãos,
O Evangelho deste dia(Mt 6,1-6.16-18) nos apresenta a esmola, o jejum e a oração como o triple fundamental para se viver bem o tempo favorável da Quaresma. Jesus nos apresenta estas três boas obras, que devem ser feitas em seu valor intrínseco, que só Deus vê, e não para serem vistos pelos homens e pelas mulheres.
O verme da vaidade, que incita o orgulho e à hipocrisia, tira à justiça cristã da generosidade, da gratuidade, a sua pureza virginal que busca a Deus unicamente. O olhar do homem deturpa tudo o que toca; é de um ardil sutil e fatal; pode haver uma tendência a praticar a justiça “só para ser visto pelos homens”.
As pessoas que fazem o pela de dar esmola, apenas para aparecer, que reza, que jejua, no palco de nossa ilimitada vaidade apenas e, secretamente não procura a justiça, mas ao egoísmo é réu da sua própria condenação.
Jesus é claro no dia de hoje: o jejum, a esmola e a oração são agradáveis a Deus somente quando Ele vê: “Ao contrário, quando tu orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa”(cf. Mt 6,6)
Caros irmãos,
Na Quaresma somos chamados a contemplação do rosto do Senhor: rosto que na Quaresma se apresenta como "rosto sofredor". Na Liturgia, nas Stationes quaresmais, e também na piedosa prática da Via Crucis, a oração contemplativa leva a unir-nos ao mistério d'Aquele que, mesmo não tendo conhecido o pecado, Deus identificou-O com o pecado em nosso favor (cf. 2 Cor 5, 21). Na escola dos Santos, cada batizado é chamado a seguir cada vez mais de perto Jesus que, subindo a Jerusalém e prevendo a sua paixão, confia aos discípulos: "Tenho de receber um batismo" (Lc 12, 50). O caminho quaresmal torna-se para nós, desta forma, seguimento dócil do Filho de Deus, que se fez Servo obediente.
O caminho para o qual a Quaresma nos convida realiza-se, em primeiro lugar, na oração: as comunidades cristãs devem tornar-se, nestas semanas, autênticas "escolas de oração". Depois, outro objetivo privilegiado é a aproximação dos fiéis ao Sacramento da reconciliação, para que cada um possa voltar a "descobrir Cristo como mysterium pietatis, no qual Deus nos mostra o seu coração compassivo e nos reconcilia plenamente Consigo" (Novo millennio ineunte, 37). A experiência da misericórdia de Deus, além disso, não pode deixar de suscitar o empenho da caridade, estimulando a comunidade cristã a "apostar na caridade" (cf. Novo millennio ineunte, IV). Na escola de Cristo, ela compreende melhor a exigente opção preferencial pelos pobres, opção que se for vivida "é dado testemunho do estilo do amor de Deus, da sua providência, da sua misericórdia" (ibid.).
Meus Irmãos,
A celebração de hoje tem outro significado muito importante: louvar e agradecer ao Senhor pela sua abundante misericórdia: “Lembra-te de que és pó e ao pó tornarás”. Perante a grandiosidade de Deus nós somos um “verme”, o menor, o mais ínfimo de todos os servidores. Por isso, Deus nos ama com profundidade e derrama sobre nós a sua misericórdia e a sua paz. Mesmo sendo pó, Deus sempre se lembrará de nós e cumprirá a Sua promessa de conceder o Reino das Bem-aventuranças.
Fazer penitência não é ficar triste, mas, pelo contrário, é ficar alegre e feliz. “Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos” (Sl 50), rezamos no Salmo Responsorial desta celebração. É o canto da humildade clamando a misericórdia do Deus da Vida, sempre pronto a nos acolher, santos pela sua graça e pobres pecadores pelas nossas misérias, e nos coloca dentro da economia de sua Salvação. Nesse contexto de penitência e conversão, devemos perceber a misericórdia de Deus que confia com abundância na capacidade do homem de assimilar o Reino de Deus.
Desta forma, a Liturgia de hoje nos ensina que penitência é um reflexo de reparação depois de uma falta. Sentimos a insuficiência do homem natural que somos. Tratamos de reparar isso, mas sabemos que o único que pode reparar mesmo é Deus. Por isso, a melhor penitência é: abrir espaço para Deus.
Abrindo espaço para Deus, caminharemos quarenta dias, para vê-lo em toda a sua majestade, o SENHOR RESSUSCITADO QUE NA CRUZ MORREU PARA QUE RESSUSCITEMOS COM ELE. AMÉM!
Padre Wagner Augusto Portugal
Vigário Judicial da Diocese da Campanha, MG.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Reflexão para o 5° Domingo do Tempo Comun

5º DOMINGO DO TEMPO COMUM – B

“Entrai, inclinai-vos e prostrai-vos: adoremos o Senhor que nos criou, pois ele é o nosso Deus.” (Sl 94,6s)

Certa ocasião, ouvi de um teólogo-poeta que “a vida é um serviço de mercenário”, numa referência a Jo 7,1. Todos aqueles que trabalham nas lidas rurais acordam cansados e seguem mais cansados ainda para o trabalho, e retornam da longa jornada tão desanimados que não têm ânimo para dormir. Que o Senhor da Vida lh’os dê um pouco de paz e de concórdia e sossego...
Hoje a Liturgia nos convida a refletir sobre o poder sobre a doença. No Novo Testamento, não há uma explicação teórica para o sofrimento. Jesus surpreende convocando os homens para assumir o sofrimento, tratando-se de uma grande inovação. Por isso, a Primeira Leitura(Jó 7,1-4.6-7) convida a nos aproximarmos do Mistério de Deus, aproximando-se do homem. Jó foi fortemente provado por Deus. Seus amigos não o conseguem consolar. Ensinam-lhe a ver no seu sofrimento o castigo de Deus. Mas, para Jó, o sofrimento permanece um mistério.Com amargura, Jó considera sua vida, e só consegue pedir que a aflição não seja forte demais e Deus lhe dê um pouco de sossego. O Antigo Testamento não tinha uma resposta para o problema do sofrimento. A resposta este em Jesus Cristo, que assume o sofrimento até o fim.
Em Jesus Cristo, tal como é apresentado pelo Evangelista Marcos(Mc 1,29-39), o mistério se revela, paulatinamente, sob o véu do “segredo” de Jesus, que marca este Evangelho. No início, Jesus assume o sofrimento, curando-o. Trata-se de um sinal. Por isso, no final, o Divino Mestre assumirá o sofrimento, sofrendo-o. Aí, sua compaixão se torna realmente universal. Supera de longe o que aparece no livro de Jó. Jesus nos mostra que Deus conhece o sofrimento do homem por dentro.

Meus irmãos,
Jesus entra de cheio em sua vida pública. Passa da sinagoga à praça e às estradas. Assume a sua missão salvadora: devo pregar o Evangelho. Vários são os simbolismos da liturgia de hoje: o serviço, a compaixão, a misericórdia, a pregação, o combate do mal, o cultivo da oração, a universalidade da salvação e a fidelidade ao compromisso. Poderíamos resumir a liturgia de hoje em três aspectos fundamentais na vida do cristão: a pregação da Palavra de Deus, a ajuda física e espiritual às pessoas e a oração.
Isso é a missão que deveremos desempenhar nesta semana e levar como ideal de nossa vida de cristãos, ou seja, de seguidores de Jesus Cristo. O entusiasmo é necessário, como é necessária para a fé a admiração. Do entusiasmo todos devemos partir para a vida pastoral, para o empenho missionário-evangelizador.
A caridade deve começar em casa. A cura da sogra de São Pedro não é certamente um milagre espetacular. São Marcos é bem sóbrio ao narrar o episódio, mas não deixa de subentendê-lo riquíssimo de sentido. Antes de mais nada, o relato mostra um Jesus amigo, carinhoso, afável. E nos passa hoje a lição de que a caridade começa em casa.
“Aproximando-se dela, tomou-a pela mão e a levantou da cama” (Mc 1,31). Marcos entende a doença e a morte como a manifestação do império do demônio e qualquer cura significa uma vitória sobre as forças do mal. A doença e a morte são vencidas pelo mesmo poder divino. Aquele que tem força para nos curar tem, também, força para nos ressuscitar.
A mulher do Evangelho, numa atualização para os nossos dias, pode ser considerada toda a assembléia. Ela, hoje, somos todos nós. Enfraquecidos pelo pecado, cercados de maldade, abraçados pela morte, somos nós que cantamos com o salmista de hoje: “Curai-nos, Senhor, Deus da vida!”. E o Senhor nos toma pela mão. A mão do Senhor nos cura no corpo e na alma. Jesus redentor é sinônimo de Jesus libertador. Jesus não liberta apenas o corpo ou apenas a alma. A criatura humana redimida e salva por Jesus é pessoa, isto é, corpo e alma inseparáveis.
Outro milagre é evidenciado: “E ela pôs-se a servi-los”. Na medida em que somos curados, libertados por Jesus, somos convidados e conclamados ao serviço da caridade, ao serviço do Reino. Quem nos ensina isso é o próprio Senhor: “Não vim para ser servido, mas para servir”. O serviço é a característica fundamental do seguimento de Cristo. Quem adere a Cristo encontra a cura de seus males, mas para pode servir aos irmãos e irmãs. O serviço fraterno, expressão de amor, construtor de comunidade é um serviço em benefício dos irmãos e irmãs.
Todos somos conclamados a misturar pregação, oração e serviço evangelizador. Na pessoa de Jesus personifica-se a misericórdia de Deus, consolando o povo, como descrevera Isaías e se expressa toda a bondade de Jesus, assumindo sobre si as dores e as enfermidades de todos. Importante notar como Jesus faz o bem, presta a
todos o serviço da cura e não espera aplausos, agradecimentos e recompensas. Jesus não busca aplausos como os demais homens. Na vida prática não se separam as dimensões para dentro (deserto), para o alto (oração) e para fora (serviço).

Irmãos caríssimos,
Paulo nos ensina que nem sempre precisamos fazer uso de nossos direitos. Paulo anuncia o Evangelho de graça, para que ninguém possa suspeitar de motivos ambíguos. Por isso, somos convidados a fazer do irmão mais fraco na fé o irmão preferencial, relembrando que a gratuidade é a base do Evangelho e do seguimento de Cristo.
A Segunda Leitura(1Cor 9,16-19.22-23) nos ensina que a gratificação de nosso apostolado consiste no prazer de pregar o Evangelho de graça, pois o que importa é que ele penetre nos corações.
Evangelizar é um serviço precioso. Por isso, evangelizar é uma necessidade diante da força do mal. Derrotando o pecado e aderindo a Cristo, alcançamos a salvação. Essa é a mensagem de hoje: rezar, estar em Deus, com a ação dentro da nova evangelização pelo serviço pastoral. Assim seja!

Padre Wagner Augusto Portugal
Vigário Judicial da Diocese da Campanha, MG

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O Meu Farto e Suave e Meu Julgo e Leve

Queridos irmãos e irmãs,
Muitas de nossas queixas estão ligadas ao duro peso da vida, da violência, da falta de amor, entre tantas outras. Mas muitos desses fartos nos mesmo que colocamos sobre nossos ombros, a nossa subjetividade em relação a tantas coisas que, não conseguimos mais viver sem o peso de tantas e tantas obrigações. Quem não esta cansando de ouvir “nossa como estou cansando”, “não vejo mais saída”, “tudo esta sobre mim”, e tantas frase que nos levam a pensar na complexidade na vivencia em comunidade e na difícil vivencia contemporânea. Quantas dores que possuímos não tem raiz em problemas do cotidiano que facilmente pode ser resolvido?
Existe coisa que não merecem nossa preocupação muitos podem se perguntar:
- Mais hoje em dia ninguém quer mais nada com a vida!
Sim e verdade, ninguém que mais nada com a VIDA, mais com as coisas que não podem trazer a vivencia de dias melhores, estão ligados em uma cultura de morte, aonde maus hábitos, drogas, falta de cultura e vulgarização estão entres as necessidades básicas para um dia. Viver em família pode ser torturante para algumas pessoas, ou ter compromisso em algo que não seja em seu próprio benefício pode ser algo que alguns em nossos dias nem saibam o que significa. Mais tudo pode ser resumido na falta da presença de Deus pois Jesus nos ensina:
“Vinde a mim todos vós que estais cansando e sobrecarregados é Eu vos aliviarei”.
Jesus quer aliviar nossas dores e retirar de nossos ombros o excesso de carga! Mas nos não o procuramos ao contrario gastamos nosso tempo reclamando e maldizendo tudo e todos.
“O meu farto e leve e o meu jugo suave”
Jesus não impõem grandes fartos, mais nossas próprias mãos amarram sobre nos, ou ainda a mãos daqueles que estão sempre dispostos a nos apontar e nos julgar. Mas Jesus veio para tirar o farto que oprime seu povo, não devo ouvir as vozes que diz Deus já ti condenou mais sim ouvir a voz do próprio Deus! “Eu não ti condeno, vá e não pegues mais”. O jugo de Jesus e leve, seu jugo e o AMOR, e o amor esta acima de qualquer conceito humano. Deus amou tanto que servisse de forma incompreensível para nos salvar, danamos vida através da morte de seu Filho único.
Por isso Deus ti ama
E nunca se esqueça disso.
 Grande abraço
Loreano Goulart

domingo, 22 de janeiro de 2012

O TEMPO É BREVE!




Os filósofos romanos advertiam: “Tempus fugit”, lembrando-nos se que precisamos agir depressa porque o tempo não espera. Expressa a mesma idéia a canção que diz: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.
Em Jesus, o tempo chegou a sua plenitude e então celebramos, em comunidade, a proximidade do Reino que se manifesta nas ações de Jesus e em nosso compromisso com a transformação da sociedade.
A celebração da Santíssima Eucaristia é um espaço que Deus nos concede para a conversão. Não somos mais santos do que os outros pelo fato de nos reunirmos para celebrar. Fora de nossas igrejas pode haver gente que crê mais do que nós no Deus vivo e verdadeiro, e mais do que nós colabora com Ele por meio do inconformismo profético.
O apóstolo Paulo nos ajuda a discernir o momento presente. Para quem crê em Jesus, o Reino é o valor absoluto e insubstituível, mesmo que não estejamos vivendo momentos de expectativa em torno do fim do mundo.
O programa de Jesus consta de três momentos. Em primeiro lugar, Ele anuncia que “o tempo já se cumpriu”. A espera da libertação chegou ao fim. Deus está presente em Jesus, atuando em seu projeto de liberdade e vida.
Em segundo lugar, Jesus anuncia que “o Reino de Deus está próximo”. Deus tomou a decisão de reinar. Por que o Reino de Deus está próximo? Porque a realeza de Deus vai tomando corpo através dos atos libertadores que Jesus realiza ao longo do Evangelho. Está sempre próximo também mediante a prática de seus discípulos, aos quais confiou a continuação daquilo que anunciou e fez.O Reino é uma realidade dinâmica. Refazendo a prática de Jesus no tempo, as pessoas e as comunidades vão abrindo espaço para que o Reino se torne realidade.
Em terceiro lugar, Jesus disse: ”Convertam-se e creiam no Evangelho!” Conversão é sinônimo de adesão à prática de Jesus. A libertação esperada, o céu rasgado, de nada adiantariam, se as pessoas que anseiam pela libertação continuassem
amarradas aos esquemas que mantêm uma sociedade desigual e discriminadora. O Evangelho de Marcos é apenas o início da Boa Notícia da libertação trazida por Jesus. Ela se tornará realidade mediante o compromisso das pessoas e comunidades que dizem um generoso Sim ao Mestre.
Padre Wagner Augusto Portugal.
Vigário Judicial da Diocese da Campanha(MG).

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

CHAMADOS E ENVIADOS

Depois da Trezena de São Sebastião, em que nossa Arquidiocese foi visitada em seus quatro cantos pela caravana missionária do Mártir Protetor da Urbe, celebramos a solene festa de São Sebastião, convocando a todos, mas especialmente os jovens, para o discipulado e a missão. Foram momentos significativos e importantes para iniciarmos o novo ano com a festa daquele que pela vida e martírio nos aponta para Jesus Cristo, Nosso Senhor.
Nós continuamos com entusiasmo e coragem a nossa caminhada na história. Neste Terceiro Domingo do Tempo Comum, o Evangelho começa com um sumário e imediatamente depois apresenta a chamada dos quatro primeiros apóstolos. O sumário é constituído pela  notícia da prisão de João Batista e pela expressão, já tão familiar para nós: "O tempo cumpriu-se, e o Reino de Deus está próximo: convertei-vos e crede no Evangelho". Em seguida mostra a vocação dos discípulos. A pregação de Jesus foi desenvolvida para comunicar aos homens o dom grande e inestimável da misericórdia divina, então a frase "o tempo... e o Reino..." não soam como um ultimato, mas deve ser entendida como a explicitação da vontade salvífica.
Na proposta da oferta de uma nova vida, compreende-se também o convite imediato e urgente para mudar. Este chamamento à fé e à conversão permite ao homem ler os sinais divinos presentes em nosso tempo e na nossa história e identificar a presença do Reino. A fé se torna a condição necessária e indispensável para a aceitação da proposta que brota da pregação de Jesus.
É possível uma mudança radical? A palavra de Deus responde afirmativamente. Pode ser explicada dessa forma a chamada dos primeiros apóstolos. A conversão é uma realidade viável. É necessário entrar na dinâmica de Deus e aceitar a sua proposta, a sua proclamação do Evangelho, partindo da própria situação de vida e da realidade que nos rodeia.
Na 46ª Jornada de Comunicação Social, a ser celebrada no Brasil na Solenidade da Ascensão do Senhor e cujo texto será publicado pelo Papa Bento XVI no próximo dia 24, dia de São Francisco de Sales, explicitará o tema: "silêncio e palavra: caminho de evangelização", que nos ajuda a fazer a experiência da escuta diante de tantas vozes ao nosso redor. É preciso silenciar para escutar a voz de Deus que chama, chama cada batizado por seu nome e o faz um evangelizador; é preciso estar à espreita do Senhor na escuta do que Ele nos diz; ser discípulo e, a partir dessa experiência, tornar-se missionário. Antes de tudo é importante compreender que a nossa atividade deve dar um salto qualitativo. Jesus pede aos futuros apóstolos para começarem a ser testemunhas vivas da "Plenitude dos tempos, da Presença do Reino e do Dom da fé". O próximo passo exigido desses homens é abandonar o que para eles pode ser a única fonte de riqueza ou de ganho, e começar a descer do barco, deixando o mar, caminhar para onde quer que estejam e vivam os homens, entrar em contato com aquele mundo muitas vezes diferente, e ouvir, dialogar e dar as razões da esperança em tempos novos, chamando todos à conversão. Na história da vocação da "segunda dupla" de apóstolos, o Evangelho de Marcos enfatiza em primeiro lugar como é Jesus a sentir a urgência da missão: "E logo os chamou” (v.20). E a outra característica do evangelizador é que, além da fé, precisa ter disponibilidade para ser livre. Notemos a despedida do pai Zebedeu – e de tudo aquilo que possuíam.
Podemos tranquilamente dizer com segurança que os quatro primeiros apóstolos fornecem os critérios e a imagem do discípulo ideal: livre de bens terrenos e dos afetos familiares. É possível ler nesta ótica as palavras de Pedro, relatadas em Mc 10,28. Por isso, como São Sebastião, nosso padroeiro, que não se intimidou diante do Imperador Diocleciano, sejamos livres de bens transitórios e de afetos desordenados em favor de Cristo Ressuscitado, que caminha no meio de nós e nos convida para sermos discípulos e missionários, ou seja, para a missão e o discipulado!

                                      † Orani João Tempesta, O. Cist.
  Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O REINO DE DEUS ESTÀ AÍ. COVERTEI-VOS


O Batismo de Jesus por João Batista é o ato inaugural do seu ministério. Em outras palavras, poderíamos dizer que é a Epifania histórica de Jesus. Atraido pela mensagem de João Batista, Jesus abandona a sua vida em Nazaré da Galileia, procura o batismo de João na região do além Jordão e começa a formar o grupo de seus discípulos para iniciar seu ministério.
João Batista anunciava a conversão à prática da justiça como caminho para remover o pecado do mundo. Com seu convite ao batismo e à conversão, atraiu discípulos, no grupo dos quais se inseriu Jesus.
Após a prisão de João, Jesus decide levar o seu anúncio da conversão ao Reino de Deus à Galileia. Jesus inova no sentido se que, em vez de aguardar a afluência de pessoas na região desértica e à margem do Jordão, decide dirigir-se, com discípulos, às regiões povoadas do norte.
Os evangelhos sinóticos são completados com o evangelho de João (evangelista) na caracterização dos primeiros discípulos reunidos em torno de Jesus. Nos sinóticos, as narrativas do chamado de Jesus se caracterizam pelo esquema: Jesus passa e chama, o discípulo deixa tudo e o segue. Esta é uma forma literária de apresentar todo um processo de relações de conhecimento e amizade entre Jesus e o discípulo e a adesão final. No evangelho de João, é destacado que Jesus chama seus primeiros discípulos em um convívio com os discípulos de João Batista.
O que caracteriza a formação dos discípulos é a conversão.
A Boa Nova do Reino que está próximo, perto de nós, é a revelação de uma nova realidade. A conversão é o processo de mudança e a construção dessa nova realidade. O mundo nos oferece uma realidade ainda não totalmente humanizada. Ocorrem até absurdos de violência e desumanidade maciças, causadas pela ambição do dinheiro e do poder e pela guerra. Contudo, este não passa de um mundo frágil.
A conversão se faz a partir do olhar para Jesus e deixar-se contagiar pelo seu amor misericordioso e por suas palavras. Assim, vamos nos libertando das ideologias de sucesso, riqueza e poder, para incorporarmos valores de comunhão com o próximo, na mansidão e no carinho, construindo um mundo novo possível, na justiça e na fraternidade.
+ Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora(MG).

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

SÃO SEBASTIÃO


São Sebastião nasceu em Milão. Era um valoroso capitão do exército romano. Sofreu o martírio sob o reinado de Diocleciano.
Cristão convicto e ativo, tudo fazia para ajudar os irmãos na fé e trazer ao Deus verdadeiro soldados e prisioneiros. O próprio governador de Roma, Cromácio e seu filho Tibúrcio foram por ele convertidos e professaram a fé mesmo no martírio.
Denunciado como cristão São Sebastião foi levado perante o Imperador para se justificar e confessou publicamente a sua fé. Acusado de traição à pátria, foi condenado à morte. Amarrado a um tronco, foi varado por flechas, na presença da guarda.
São Sebastião conseguiu sobreviver e, corajosamente, se apresentou ao Imperador, censurando-o pelas injustiças cometidas contra os cristãos, acusando-os de inimigos do Estado. Incitou o imperador para que os deixasse em paz.
Diocleciano, entretanto, permaneceu surdo o seu apelo, mandou açoitá-lo até a morte e lançou o seu corpo em uma cloaca. Era por volta do ano 284.
Seu culto foi muito popular não só em Roma, mas também em outras igrejas do Ocidente.
A imagem de São Sebastião serviu a artistas do Renascimento de motivo para suas pinturas. Eles nos deixaram diversas representações do mártir, na maioria, ele aparece cravado de flechas.
Sua festa é comemorada no dia 20 de janeiro. São Sebastião é o padroeiro contra a peste, a fome e a guerra. Peçamos a proteção do Santo Mártir em favor de todos os que labutam na agricultura. Que São Sebastião abençoe os agricultores e pecuaristas e abençoe as plantações e as criações. Que ele, interceda, por nós junto a Deus para a paz.
+ Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora(MG).

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A Dom Oscar de Oliveira no seu centenário!

         Minas, genuflexa, agradece a Deus neste dia 09 de janeiro de 2012 o centenário de nascimento de Sua Excelência Reverendíssima Dom Oscar de Oliveira, Arcebispo de Mariana, entre 1960 e 1988, depois de ter sido Cura da Catedral de Nossa Senhora da Assunção, por dois lustros, na sede primaz de Minas e professor titular de direito canônico do Seminário São José da mesma Arquidiocese de Mariana.
Em 1954, o Santo Padre Pio XII o nomeou bispo auxiliar de Pouso Alegre. A ordenação episcopal ocorreu na Sé, em Mariana, presidida por Dom Helvécio Gomes de Oliveira, tendo como consagrantes Dom Daniel Neves e Dom Rodolfo Pena, seu antigo Pároco. Após um ano de permanência no sul de minas, como Bispo Auxiliar e, depois Administrador Apostólico Sede Plena de Pouso Alegre; tornou-se bispo coadjutor e administrador sede plena daquela Igreja Particular, ocasião em que concluiu as obras da Catedral, construção do novo seminário e fez visita pastoral a todas as paróquias durante os quase cinco anos que ali se dedicou.
Dom Oscar, aos 31 de janeiro de 1959 foi nomeado Arcebispo Coadjutor e Administrador “Sede Plena” de Mariana. Aos 25 de abril de 1960, tornou-se ARCEBISPO METROPOLITANO DE MARIANA, onde durante vinte e oito anos exerceu profícuo pastoreio.
         Dom Oscar, o grande e magno canonista, foi professor de gerações e gerações no vetusto Seminário Maior de Mariana, centro irradiador da formação eclesiástica mineira. Dom Oscar dava aulas de cor. Sabia tudo, no seu coração e na sua alma, era um bispo à moda antiga, príncipe e pastor de almas, poeta requintado, cronista fino, historiador abalizado e amante da cultura, coube a ele constituir os museus arquidiocesanos de Mariana, recuperar a arte sacra, promover o estudo da restauração, dando emprego aos próprios habitantes de sua vasta Arquidiocese, que por ele foi visitada, pastoralmente, muitas e muitas vezes, sempre com o seu sorriso acolhedor.
Dom Oscar, como intelectual refinado, publicou as seguinte obras; De Delictis et Poenis. 1951. 500 páginas sobre o Livro V do CIC pio-beneditino; Nossa Senhora das Brotas, seu culto em Portugal e no Brasil; Virgem Maria, Mãe de Deus e Mãe dos Homens; A Fé; Santíssima Eucaristia, Inefável Mistério da Fé; Sagrado Coração de Jesus; A Família; Moinho d’Água e Estância de Saudades, além de seus artigos e catequeses semanais no Jornal O ARQUIDIOCESANO.
Sua voz e a sua pena eram ouvidas e lidas não só no âmbito de sua amada Igreja Primaz, mas transcendia os umbrais marianenses, sendo ele uma voz abalizada no episcopado brasileiro, sendo o responsável pela nomeação e consagração de seis dos mais admirados bispos mineiros.
Nós, mineiros, no primeiro centenário do 3º. Arcebispo e 11º. Bispo de Mariana, unamos nossa voz em solene TE DEUM LAUDAMUS pela obra e pela vida de Dom Oscar de Oliveira, o grande bispo canonista, que do céu nos ensina que o direito deve salvar e não condenar, porque Dom Oscar sempre dizia: saber tudo de direito canônico antes de tudo é colocar o amor e a caridade para a salvação das almas.
Mariana e Dom Oscar se misturaram em esplendor, santidade, catolicidade e dignidade! Do barroco cheio de ricas mensagens de quantas vidas que por ali passaram. Nos altares de Mariana agora foi incrustada mais uma jóia. E que jóia de rara preciosidade, na Sé Primaz esperam a ressurreição final o corpo bendito do grande Arcebispo Dom Oscar de Oliveira, cujo o centenário jubilosos celebramos!
Minas e o Brasil precisão de mais bispos da têmpera do grande D. Oscar, que uniu cultura, arte sacra, erudição, pastoral, direito canônico e caridade como requisitos básicos de seu pastoreio, além de tudo isso, um verdadeiro amor e dedicação impar ao seu Seminário, a jóia da coroa eclesiástica mineira.
Dom Oscar rogai por nós junto do trono do Deus Justo!
Padre Wagner Augusto Portugal.
Vigário Judicial da Diocese da Campanha(MG)

domingo, 8 de janeiro de 2012

Domingo, 08 de janeiro de 2012, 14h41

Angelus de Bento XVI - 08/01/2012

Boletim Sala de Imprensa da Santa Sé
(Tradução: Mirticeli Medeiros - equipe do CN notícias)



Angelus
Praça de São Pedro - Vaticano
Domingo, 8 de janeiro de 2012



Queridos irmãos e irmãs


Hoje celebramos a festa do Batismo do Senhor. Esta manhã conferi o Batismo a 16 crianças e por isto, gostaria de propor uma breve reflexão sobre nosso ser filhos de Deus. Antes de tudo, partamos do nosso ser simplesmente filhos: esta é a condição fundamental que nos une. Nem todos são pais, mas todos seguramente são filhos. Vir ao mundo não é nunca uma escolha, não nos vem pedido antes de nascer. Mas durante a vida, podemos amadurecer uma atitude livre em relação a própria vida: podemos acolhê-la como um dom e, em um certo sentido, tornar aquilo que já somos: filhos. Esta passagem sinaliza uma etapa de maturidade do nosso ser e no relacionamento com nossos pais, que se enche de reconhecimento. É uma passagem que nos torna também capazes de ser também genitores, não biologicamente, mas moralmente. 
Também em relação a Deus somos todos filhos. Deus é a origem da existência de toda criatura e é Pai em modo singular de cada ser humano: tem como ele ou com ela uma relação única, pessoal. Cada de nós é querido, é amado por Deus. E também nesta relação com Deus, por assim dizer, podemos renascer, isto é, nos tornar aquilo que somos, Isto acontece mediante a fé, mediante um sim profundo e pessoal a Deus como origem e fundamento da nossa existência. Com este “sim” eu acolho a vida como dom do Pai que está nos céus, um Pai que não vejo, mas no qual creio e que sinto no profundo do coração ser o Meu Pai e de todos os meus irmãos em humanidade, um Pai imensamente bom e fiel.

Sobre o que se baseia esta fé em Deus Pai? Se baseia em Jesus Cristo: a sua pessoa e a sua história nos revelam o Pai, o fazem conhecer, o quanto é possível deste modo. Crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, nos conduz a renascer do alto, isto é, de Deus, que é amor (Jo 3,3). E precisamos ter claro que ninguém se faz homem: nascemos sem o nosso próprio fazer, o passivo de ter nascido precede o ativo do nosso fazer. O mesmo é também se diz do ser cristão: ninguém pode fazer-se cristão somente pela própria vontade, também ser cristão é um dom que precede o nosso fazer: devemos renascer em um novo nascimento. São João diz: A quantos o acolheram deu o poder de se tornarem filhos de Deus (Jo 1,12). Este é o sentido do Sacramento do Batismo, o Batismo é um novo nascimento, que precede o nosso fazer. Com a nossa fé podemos ir ao encontro de Cristo, mas somente Ele mesmo pode fazer-nos cristãos e dar a esta nossa vontade, a este nosso desejo a resposta, a dignidade, o poder de nos tornarmos filhos de Deus que de nós mesmos não temos.
Caros amigos, este domingo do Batismo do Senhor conclui o Tempo do Natal. Rendamos graças a Deus por esse grande mistério, que é fonte de regeneraçção para a Igreja e para o mundo inteiro. Deus se fez Filho do Homem, para que o homem se tornasse filho de Deus, mediante o Batismo. À Virgem Maria, Mãe de Cristo e de todos aqueles que creem nEle, pedimos que nos ajude a viver realmente como filhos de Deus, não com as palavras, e não somente com as palavras, mas com os fatos. Escreve ainda São João: “Este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho Jesus e nos amemos uns aos outros, este é o preceito que Ele nos deu (I Jo 3,23)

sábado, 7 de janeiro de 2012

A Epifania do Senhor


No período do Natal nos alegramos com a chegada do Menino Jesus no meio de nós para nos trazer a paz, harmonia, concórdia e mudança de vida. Deus continua nos alegrando com a Sua nobilíssima presença que se manifesta o tempo todo no meio de todos os seus.
A Epifania é a Manifestação da presença de Deus no meio da humanidade e é celebrada normalmente no início do mês de janeiro, mais propriamente dito no segundo domingo após a celebração do natal. A Epifania representa e ou quer dizer, que Nosso Senhor Jesus Cristo se manifesta ao mundo em meio a sua humanidade privilegiando a toda criatura humana, obra prima do Criador, com a Sua magnífica presença salvífica.
Esta solenidade comemorada na vida da Igreja faz com que todos os fiéis percebam de fato de que se trata de uma festa religiosa na qual a aparição ou a manifestação divina seja vista ou percebida como sendo um aspecto inteiramente miraculoso. Na verdade, a humanidade inteira caminha na presença do altíssimo com todas as referências necessárias para se ter uma vida digna na Proteção divina que se revela a todo tempo tanto pelos sinais visíveis encontrados na pessoa de Jesus Cristo, que nasce e permanece, quanto pelos sinais invisíveis, isto é, Deus está sempre presente em tudo e em todos e pode de uma maneira sublime ser sentido, mas nunca visto a olho nu por ninguém. 
No contexto da Sagrada Escritura, que é a fonte maior da revelação de Deus para o homem, podemos encontrar momentos da Epifania de Jesus Cristo. Em um primeiro momento pelas ações peregrinas dos magos que foram ao encontro do Menino recém-nascido para adorá-Lo, percebe-se a delicadeza de Deus que inundou o coração destes homens de tamanha paz e harmonia e inexplicavelmente encantados pelo brilho da estrela que os conduziu até a experiência de profunda de Adoração feita no estábulo e na manjedoura. “Os magos foram até a manjedoura, guiados pela estrela que lhes enchiam de muita paz.” A revelação divina na pessoa de Jesus expressou de modo profundo na vida daqueles homens o amor de Deus e estes por sua vez, souberam acolher e entender o brilho edificante desta luz maravilhosa que vinha do alto, perpassando o coração de Jesus e indo ao encontro do coração de todos eles, iluminando por este gesto o coração de toda humanidade. Em outro momento, podemos perceber esta manifestação do senhor em meio à humanidade no episódio do Jordão onde o Filho de Deus acolhe de coração aberto a experiência do Batismo ministrado por João Batista, o profeta do deserto, que percebendo a grandiosidade divina de Jesus em sua direção, não se viu digno de desatar as suas sandálias.
Portanto, a Epifania do Senhor é a manifestação de Jesus como Messias de Israel, Filho de Deus e Salvador do mundo. É a presença de Deus que se faz atuante na vida de todos no decurso da história humana. Nenhuma criatura humana é capaz de viver sem a alegria da expressão de Jesus manifesta no coração. A solenidade da Epifania nos faz todos ter a certeza que a divindade de Deus está sempre presente em meio a nossa vida.
Padre Wagner Augusto Portugal
Vigário Judicial da Diocese da Campanha(MG).



quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

TEMPO DE OLHAR PARA FRENTE


                            Acabamos de festejar o início de 2012! Temos aqui no Rio de Janeiro a graça de iniciá-lo com a Trezena de São Sebastião, que neste ano o contempla como jovem discípulo de Jesus Cristo. Estamos no ano do discipulado dentro da nossa caminhada do Plano de Pastoral; iremos iniciar o ano da Fé, convocado pelo Papa Bento XVI, e nos encontramos nos tempos de preparação para a Jornada Mundial da Juventude.
                            Com a peregrinação da imagem de São Sebastião, estamos justamente indo ao encontro das pessoas onde elas estão, recordando as consequências do discipulado, que é a missionariedade. E sempre iniciamos a partir de Jesus Cristo e é a Ele que também anunciamos.
                            O jovem Sebastião nos demonstra, desde o seu testemunho de vida, que sempre teremos que enfrentar as dificuldades e perseguições. Os cristãos, através dos séculos, sempre sofreram as mais diversas crueldades. Mesmo há 15 dias, no Natal, assistimos à morte de nossos irmãos católicos que rezavam a vigília do nascimento de Cristo.
                            Dialogar com a sociedade não nos faz perder as convicções que sabemos serem importantes para o mundo de hoje, pois vemos a quantas anda a nossa sociedade em matéria de violência, divisões, corrupção, guerras.
                            No entanto, apesar de todas as ameaças explícitas ou implícitas, nós continuamos com esperança, fundamentados na ressurreição de Jesus cristo, que é nossa vida e salvação.
                            Os tempos atuais esperam de nós católicos cada vez mais coerência de vida e animação no anúncio da Boa Notícia. E, ao mesmo tempo, saber dar as razões de nossa fé.
                            A nossa Arquidiocese tem o privilégio de iniciar o ano pastoral com a festa de seu padroeiro, que é preparada com uma trezena arquidiocesana. Passadas as festas natalinas e as comemorações do novo ano, ao contemplar a universalidade da salvação simbolizada pelos reis magos, nós saímos para contar a todos a grande notícia esperada: nasceu para vós o Messias, o Salvador, o Redentor!
                            E nós o fazemos levando conosco um exemplo inquestionável – São Sebastião – que, além de padroeiro da cidade e da arquidiocese do Rio de Janeiro, é contado como presente nas histórias do nascimento desta cidade.
                            Juntamos nosso entusiasmo pastoral com as preocupações de uma cidade melhor para todos e percorreremos a cidade com a imagem de seu padroeiro, aqui trazido por Estácio de Sá, e que estará testemunhando que tudo pode ser melhor. Que as promessas de novo ano irão se concretizando à medida que as pessoas se colocarem disponíveis para servir e converterem-se a cada dia, procurando o bem do seu irmão.
                             Começamos com o tempo chuvoso, que nos causa preocupações devido às experiências anteriores. Creio que é um tempo de vermos como antigas promessas não cumpridas são retomadas e reiniciadas, e estarmos ainda mais dispostos a fazer a diferença, com uma vida na gratuidade a serviço do próximo. Aliás, será este um grande sinal da Jornada Mundial da Juventude: vermos jovens do Brasil e do mundo que virão ao Rio de Janeiro para se colocarem disponíveis para ajudar aos que chegarão para o evento.
                             Eis que tudo se faz novo! Eis que nós somos chamados a ser a “novidade” nestes tempos de antigas ideias. É missão kerigmática do cristão. Que os sinais dos tempos nos ajudem a refletir sobre quais passos poderíamos dar para que a curto, médio e longo prazo construamos uma sociedade em que os direitos humanos estejam presentes, e as pessoas tenham o necessário para viver bem. Assim, estaríamos colocando em prática todos os votos formulados por ocasião do ano novo.
                             Que o Senhor nos inspire e ajude com a Sua graça, e dê sabedoria a todos os que têm essas responsabilidades.

                                      † Orani João Tempesta, O. Cist.
  Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


                                      

EPIFANIA DO SENHOR – ONDE A ESTRELA PAROU.


Com a festa de Epifania, a Igreja celebra a manifestação de Jesus ao mundo. Epifania, palavra de origem grega, significa manifestação externa, aparecimento.
No mundo helenista, a palavra era usada para exprimir a chegada de um imperador em visita aos territórios de seu domínio. O uso tradicional desta palavra, para indicar esta narrativa do nascimento de Jesus, em Mateus, induz a uma interpretação gloriosa deste nascimento.
Mateus apresenta Jesus como a luz e a glória de Deus para o povo de Israel, sendo a Ele que os povos vêm em adoração, em uma perspectiva universalista, a qual está presente também no pensamento de São Paulo, na segunda leitura do domingo da Epifania do Senhor.
A menção da estrela que guia os magos é uma alusão à estrela de Jacó, que, depois, se transformou na estrela de Davi, com seis pontas e doze lados, associando Jesus ao messianismo davídico. Assim também se dá com o nascimento em Belém, que era tida como a terra de origem de Davi. Todos estes acentos messiânicos o evangelista os fazia para convencer sua comunidade de cristãos originários do judaísmo que, em Jesus, se realizavam as suas expectativas messiânicas, conforme a tradição do Antigo Testamento.
A estrela que guiou os magos parou num humilde presépio, onde nascera o Menino Jesus e onde Maria e José permaneceram por algum tempo, cuidando, contemplando e adorando o Menino-Deus. A estrela leva a Jesus. O ambiente é rústico, simples e pobre, mas a estrela indica a grandeza do Filho de Deus, que se tornou humano para que nós pudéssemos nos tornar divinos.
Na nossa vida, o Espírito Santo também se faz estrela, conduzindo-nos a Jesus. Que cada um de nós, como os magos, aprenda a seguir, com admiração, interesse e amor essa estrela que sempre quer brilhar para nós.
Neste nosso primeiro artigo do ano da graça de 2012, quero expressar meu agradecimento a todos os que me acompanham, semanalmente, partilhando a Palavra de Deus, conforme nos exortou o Papa Bento XVI para que usássemos de todos os aeropágos para pregar o Evangelho de Jesus Cristo. Que tenhamos, nesta solenidade, as atitudes benditas de humildade, solidariedade, alegria, serviço fraterno. Eis a lição que o Cristo do presépio, o Cristo da Epifania vem trazer para nós. Somente colocando em prática a sua mensagem é que saberemos construir e merecer a felicidade eterna, que pode ser vivida ainda aqui neste mundo. A estrela para em Jesus. Vamos, como os simples pastores ou como os reis magos, seguir essa estrela que nos faz construir a paz e o amor. Que no ano de 2012, sejamos mais fraternos, solidários vivendo sempre à luz de Cristo, o Redentor, que se manifesta ao mundo para que, no Seu seguimento, sejamos homens e mulheres mais gente.
+ Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora(MG)