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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

IMACULADA CONCEIÇÃO DA VIRGEM MARIA – B.


“Com grande alegria rejubilo-me no Senhor, e minha alma exultará no meu Deus, pois me revestiu de justiça e salvação, como a noiva ornada de suas jóias”. (cf. Is 61,10).

Meus irmãos,
         No tempo do Advento, que é tempo de esperança, de silêncio e de aguardo, na doce espera do Nascimento do Redentor do gênero humano celebramos uma festa muito importante a todo o povo brasileiro: a festa de Maria, comprometida com o projeto salvífico de Deus. A festa celebra a fé da Santa Igreja Católica de que Maria não experimentou o pecado original, para que fosse digna de ser a Mãe do Filho de Deus. Trata-se de uma visão da Igreja em matéria de eclesiologia – da vida da Igreja – e de escatologia – do tratado das coisas futuras.
            Maria Santíssima é a única exceção da participação universal do pecado, que reina desde o pecado original, conhecido como o pecado do Homem e da Mulher. Em Maria Virgem e em sua prole, a Igreja viu a plenitude daquilo que está prefigurado na primeira leitura retirada do livro de Gênesis: a mulher e a sua descendência, pisando aos pés e a cabeça da serpente, encarnação da tentação pecaminosa. Portanto, Maria é a nova Eva, conforme o estudo dos antigos padres da Igreja: “Ave, Eva”.

 A primeira leitura de hoje nos fala da existência do pecado na vida dos homens e da mulher(cf. Gn 3,9-15.20). Mostra o drama do homem e da mulher diante do Criador, ao se sentirem culpados por algo que lhes roubou a paz, já que caíram na real que não foram capazes de cumprir o que Deus lhes havia determinado. O que é bom ter presente é a capacidade dos homens e das mulheres de caminharem na contra mão do projeto de salvação do Deus da vida, de realizar a vontade do Senhor Deus, cedendo ao pecado, aos caprichos pessoais, aos projetos que nunca foram e nunca serão de Deus. É querer ter a tentação de ser o próprio Deus. A leitura é uma constatação do que é a vida humana e a liberdade que o homem tem em escolher entre o bem e o mal. Somos convocados a cooperar com Deus na realização do seu projeto, comprometendo-se com Deus. No Evangelho de Lucas(cf. Lc 1,26-28) Maria é apresentada como a mais fiel da humanidade que se comprometeu com a realização do projeto do Pai. Em Gênesis temos a humanidade pecadora que é redimida pela humanidade fiel, cheia de graça, do Evangelho que descreve as maravilhas do Magnificat.
            Deus projeta em Maria a sua própria imagem e semelhança que não via mais desde o primeiro pecado da história da humanidade. Deus dialoga com as suas criaturas, à partir da Virgem, porque Maria é a representante do povo sofrido. Maria pobre, sem genealogia, sem passado importante, gente simples do povo judeu, buscada na escuridão de uma vida simples, mas digna, é a representante do povo sofrido que foi escolhida para receber em seu seio virginal o Salvador, o Divino Infante.
Resignada em cumprir a vontade do Pai, foi a protagonista do teatro da salvação, encarnando os anseios do povo de Deus, trazendo em seu ventre “o ramo de Jessé” que salvará a humanidade, rompendo o tempo de dignidade e de acolhida.
            Maria cumpriu sua missão oferecendo ao mundo o Filho de Deus, nosso Salvador. Aqui reside o ponto central : o mistério da Imaculada Conceição é o mistério da perfeita pertença à santidade de Deus, que é o núcleo também da santidade da Igreja e o futuro ao qual todos nós somos chamados. Em Maria, este futuro já é o passado. Por isso o prefácio desta Liturgia proclama “as primícias da Igreja”.
            A segunda leitura desta solenidade(Ef 1,3-6.11-12)  apresenta o plano de Deus para com os homens, destinados a serem imaculados. Deus mostra seu amor para conosco, também, desde a eternidade.
            Não podemos separar os dois mistérios: a encarnação de Jesus e a Imaculada Conceição de Maria em vista da maternidade divina. Maria foi concebida sem pecado em previsão de ser a escolhida de Deus para a Mãe de Jesus Cristo que, ao mesmo tempo, seria Deus e criatura humana. Como também não se pode separar o mistério da encarnação do mistério da salvação humana. Todos somos hoje co-envoltos na graça. São Paulo nos adverte: “Vos tornastes filhos de Deus em Cristo Jesus, fostes revestidos de Cristo(cf. Gl 3,27). Tornamo-nos, igualmente, participantes da graça divina na pessoa de Jesus. A festa de hoje, portanto, celebra os planos e os meios de Deus em Maria por causa de Jesus; e, em Jesus, por causa da redenção do mundo. A força-motriz de tudo é o imenso amor e a incontida misericórdia de Deus.
            A santidade é o maior convite e o maior apelo da Igreja, conforme nos ensinou o saudoso Pontífice João Paulo II. Ser santo é ser audacioso e ser simples na busca das bem-aventuranças. Em tudo isso MARIA foi e sempre será o exemplo completo. Por isso a Virgem é a representante da humanidade enfim cheia de graça, redimida, escolhida, chamada a ser parceira de Deus na obra da salvação. Parceria que nasce da santidade na “busca do rosto sereno e radioso do Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Padre Wagner Augusto Portugal
Vigário Judicial da Diocese da Campanha, MG.

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